O leilão em primeira e segunda praça é um dos conceitos mais importantes para quem deseja arrematar imóveis e outros bens em leilões judiciais no Brasil. Compreender a diferença entre as duas praças, os valores praticados em cada etapa e os prazos legais é o que separa o arrematante experiente daquele que perde boas oportunidades — ou pior, que assume riscos desnecessários. Neste guia completo, você vai entender exatamente como funciona cada praça, quanto custa um bem em cada fase e como participar com segurança.
Em resumo
Em resumo: A primeira praça é a primeira tentativa de venda judicial de um bem, com lance mínimo igual ao valor de avaliação. Se ninguém arrematar, abre-se a segunda praça, com descontos que podem chegar a 50%, desde que não configure preço vil.
O que é praça em um leilão judicial?
No contexto dos leilões judiciais, “praça” é o nome dado a cada uma das sessões públicas em que um bem penhorado é oferecido à venda para quitar uma dívida reconhecida judicialmente. O termo tem origem histórica: antigamente, os leilões aconteciam literalmente nas praças públicas das cidades, em frente aos fóruns. Hoje, embora a maior parte dos leilões ocorra em plataformas online, a expressão permaneceu no vocabulário jurídico.
Cada leilão judicial é dividido, em regra, em duas praças (ou dois leilões, segundo a terminologia do Código de Processo Civil de 2015). A existência de duas oportunidades de venda protege tanto o credor — que busca receber o valor devido — quanto o devedor, que tem interesse em que o bem seja vendido pelo maior valor possível para reduzir ou quitar sua dívida.
Profissionais que dominam essas regras conseguem identificar as melhores oportunidades e orientar arrematantes. Quem deseja atuar nesse mercado de forma profissional pode se preparar com o Curso de Leiloeiro Oficial, que aborda toda a legislação aplicável aos leilões judiciais e extrajudiciais.
O que é a primeira praça?
A primeira praça é a primeira tentativa de venda judicial do bem penhorado. Nessa etapa, o lance mínimo aceito é, em regra, o valor de avaliação do bem — ou seja, o preço de mercado estimado por um perito ou oficial de justiça no processo.
Isso significa que, na primeira praça, dificilmente um imóvel é arrematado por um valor muito abaixo do mercado. Para um bem avaliado em R$ 500 mil, por exemplo, os lances precisam partir de R$ 500 mil. Por esse motivo, muitos imóveis não recebem propostas na primeira praça — o que, na prática, é exatamente o que abre caminho para as oportunidades da segunda.
Características da primeira praça
A primeira praça costuma ter como referência o valor integral de avaliação atualizado. O edital define a data, o horário e a forma de participação. Caso haja lance igual ou superior ao valor de avaliação, o bem é arrematado e o leilão se encerra naquele bem específico, sem necessidade de segunda praça.
O que é a segunda praça?
A segunda praça ocorre quando não há arrematante na primeira. Nessa fase, o juiz autoriza a venda do bem por valor inferior ao da avaliação, com descontos que normalmente variam entre 20% e 50%. O percentual mínimo de desconto é fixado no próprio edital do leilão, respeitando os limites legais.
É na segunda praça que estão as maiores oportunidades de compra com desconto. Um imóvel avaliado em R$ 500 mil pode, dependendo do edital, ter lance mínimo de R$ 250 mil a R$ 300 mil na segunda praça. Esse é o principal motivo pelo qual investidores acompanham com atenção justamente essa etapa.
Existe limite para o desconto na segunda praça?
Sim. Embora a segunda praça permita descontos expressivos, o valor do lance não pode ser considerado “preço vil” — conceito que veremos em detalhe a seguir. O juiz pode rejeitar lances irrisórios mesmo na segunda praça, justamente para proteger o patrimônio do devedor.
Diferença entre primeira e segunda praça
A principal diferença entre primeira e segunda praça está no valor mínimo do lance. Veja o comparativo:
- Primeira praça: lance mínimo igual ao valor de avaliação do bem (preço de mercado).
- Segunda praça: lance mínimo reduzido, com desconto definido no edital, sem configurar preço vil.
- Concorrência: tende a ser maior na segunda praça, pois é quando aparecem os descontos.
- Risco: os cuidados com a documentação são os mesmos nas duas praças — o desconto não reduz a necessidade de análise.
Vale destacar: as regras processuais atuais, previstas no Código de Processo Civil, falam em “primeiro” e “segundo” leilão. Na prática do dia a dia e em muitos editais, os termos “primeira praça” e “segunda praça” continuam sendo amplamente utilizados como sinônimos dessas etapas.
O que é preço vil?
O preço vil é o valor tão baixo que se torna injusto e abusivo, prejudicando o devedor. A lei não permite que um bem seja arrematado por preço vil, mesmo na segunda praça.
Segundo o entendimento consolidado e o próprio Código de Processo Civil, considera-se preço vil aquele inferior ao mínimo estipulado no edital. Quando o edital não fixa um percentual, a jurisprudência costuma considerar vil o lance inferior a 50% do valor de avaliação do bem. Por isso, é fundamental ler o edital com atenção: ele define o piso de cada praça.
Entender o conceito de preço vil é essencial para qualquer profissional do setor. Uma capacitação para leiloeiros de qualidade dedica atenção especial a esse tema, pois lances abaixo do limite legal podem ser anulados judicialmente, gerando insegurança para todos os envolvidos.
Como funciona o passo a passo das praças
Para entender o fluxo completo de um leilão judicial dividido em primeira e segunda praça, acompanhe as etapas:
1. Penhora e avaliação do bem
Antes de qualquer praça, o bem do devedor é penhorado no processo de execução e, em seguida, avaliado. Esse valor de avaliação será a referência para o lance mínimo da primeira praça.
2. Publicação do edital
O edital de leilão é o documento oficial que reúne todas as informações: descrição do bem, valor de avaliação, datas da primeira e da segunda praça, lance mínimo de cada etapa, condições de pagamento e eventuais ônus. A leitura completa do edital é indispensável.
3. Realização da primeira praça
Na data marcada, o bem é oferecido pelo valor de avaliação. Se houver lance igual ou superior, ocorre a arrematação. Caso contrário, segue-se automaticamente para a segunda praça na data prevista no edital.
4. Realização da segunda praça
Geralmente poucos dias após a primeira, a segunda praça oferece o bem com o desconto previsto. É nesse momento que aparecem as oportunidades de compra abaixo do valor de mercado.
5. Arrematação, pagamento e auto de arrematação
O vencedor efetua o pagamento conforme as regras do edital (à vista ou parcelado, quando permitido) e assina o auto de arrematação. Em seguida, busca-se a expedição da carta de arrematação e a imissão na posse.
Quanto custa arrematar em cada praça?
O custo de arrematação vai muito além do valor do lance. É preciso considerar:
- Comissão do leiloeiro: normalmente 5% sobre o valor da arrematação, paga pelo arrematante.
- Custas e tributos: ITBI (no caso de imóveis), custas cartorárias e de registro.
- Débitos do bem: IPTU, condomínio e outras dívidas que podem ou não ser de responsabilidade do arrematante, conforme o edital.
- Eventual desocupação: custos para retomada da posse, caso o imóvel esteja ocupado.
Por isso, mesmo um imóvel arrematado com 40% de desconto na segunda praça precisa ser analisado com uma planilha realista de custos totais, e não apenas pelo valor do lance.
Vantagens e riscos de cada praça
Participar da primeira praça tem como vantagem a menor concorrência e a possibilidade de garantir um bem específico de interesse antes que ele chegue à disputa mais acirrada da segunda. A desvantagem é o preço cheio.
Já a segunda praça oferece a vantagem do desconto, mas com maior concorrência e a mesma necessidade de diligência prévia. O risco principal, em ambas, está na ausência de análise jurídica: imóveis ocupados, com penhoras múltiplas ou pendências registrais podem transformar uma “barganha” em um problema.
Como participar de um leilão em primeira ou segunda praça
O processo de participação é semelhante nas duas praças. Veja os passos essenciais:
O que dizem nossos alunos
Mais de 5.000 Leiloeiros Formados
Profissionais de todo o Brasil que já se credenciaram e atuam no mercado
1. Encontre o edital e leia integralmente
Localize o leilão em plataformas oficiais ou no site do leiloeiro responsável. Leia o edital por completo, com atenção às datas das duas praças, lances mínimos e condições.
2. Faça a diligência do bem
Verifique a matrícula do imóvel no cartório, eventuais ônus, situação de ocupação e débitos. Para veículos, consulte multas, débitos e estado de conservação.
3. Cadastre-se na plataforma
O cadastro prévio é obrigatório e exige documentos pessoais. Faça com antecedência, pois pode haver prazo de aprovação.
4. Defina seu teto de lance
Calcule o valor máximo que faz sentido pagar considerando todos os custos. Disciplina é fundamental: não ultrapasse seu limite no calor da disputa.
5. Dê o lance e acompanhe
Participe na data e horário definidos. Se a primeira praça não tiver arrematante, prepare-se para a segunda, onde o desconto pode tornar o bem ainda mais atrativo.
O papel do leiloeiro nas praças
O leiloeiro oficial é o profissional habilitado e credenciado na Junta Comercial que conduz o leilão, garante a publicidade do edital, organiza as praças e formaliza a arrematação. É ele quem assegura que todo o procedimento siga a legislação, protegendo a validade do ato.
Trata-se de uma profissão regulamentada, com boas oportunidades de atuação tanto no segmento judicial quanto no extrajudicial. Quem deseja ingressar nesse mercado encontra na Formação de Leiloeiro Oficial o caminho estruturado para dominar desde os requisitos legais até a condução prática de leilões em primeira e segunda praça.
Exemplo prático: cálculo do lance em cada praça
Para tornar o conceito concreto, imagine um apartamento avaliado judicialmente em R$ 400.000,00. Veja como ficariam os valores em cada praça, considerando um edital que estabelece lance mínimo de 50% na segunda praça:
- Primeira praça: lance mínimo de R$ 400.000,00 (100% da avaliação).
- Segunda praça: lance mínimo de R$ 200.000,00 (50% da avaliação).
- Comissão do leiloeiro (5%): R$ 10.000,00 sobre uma arrematação de R$ 200.000,00.
- ITBI estimado (3%): cerca de R$ 6.000,00, conforme a base de cálculo do município.
Nesse cenário, um arrematante que vencesse a segunda praça por R$ 220.000,00 desembolsaria, somando comissão e tributos, aproximadamente R$ 237.000,00 — ainda bem abaixo do valor de mercado de R$ 400 mil. É exatamente essa diferença que atrai investidores ao leilão judicial. Ainda assim, o cálculo só faz sentido se a diligência confirmar que o imóvel está livre de surpresas.
Diferença entre praça judicial e leilão extrajudicial
É comum confundir as praças do leilão judicial com o leilão extrajudicial. No leilão judicial, as praças seguem o Código de Processo Civil, com avaliação e descontos definidos pelo juízo. Já no leilão extrajudicial — como o previsto na Lei 9.514/97 para imóveis em alienação fiduciária — também existem dois leilões, mas as regras de valor mínimo são diferentes: no primeiro leilão, o lance mínimo é o valor do imóvel previsto em contrato; no segundo, é o valor da dívida acrescido de encargos.
Embora ambos tenham duas chamadas, os critérios de preço, a base legal e os direitos do devedor variam. Conhecer essas distinções evita erros graves de avaliação por parte de quem pretende arrematar.
Erros comuns de quem participa da segunda praça
O desconto da segunda praça é atraente, mas leva muitos iniciantes a cometerem erros que comprometem o investimento. Entre os mais frequentes estão:
- Não ler o edital por completo: ignorar cláusulas sobre dívidas, ocupação e condições de pagamento.
- Pular a diligência registral: deixar de analisar a matrícula e descobrir ônus depois da arrematação.
- Desconsiderar imóvel ocupado: subestimar o tempo e o custo de uma eventual ação de imissão na posse.
- Esquecer os custos extras: calcular apenas o lance e ser surpreendido por comissão, tributos e débitos.
- Disputar acima do limite: perder a disciplina e pagar quase o valor de mercado, anulando a vantagem do desconto.
Evitar esses erros é uma questão de preparo e informação. Quanto mais o arrematante conhece o procedimento das praças, menor o risco e maior a chance de fazer um bom negócio.
Documentos e cuidados antes de arrematar
Antes de dar um lance, seja na primeira ou na segunda praça, reúna e analise: a certidão de matrícula atualizada do imóvel, as certidões de ônus e de ações reais, o edital completo, a avaliação judicial e, quando possível, fotos ou visita ao bem. Para veículos, acrescente a consulta de débitos, multas e restrições. Esse conjunto de informações é o que permite calcular o risco real e decidir com segurança.
Onde encontrar leilões em primeira e segunda praça
Os leilões judiciais são divulgados em editais publicados em jornais de grande circulação, nos diários oficiais e, principalmente, nos sites dos leiloeiros oficiais e das plataformas de leilão credenciadas pelos tribunais. Muitos tribunais de justiça mantêm portais próprios com a relação de bens em hasta pública, organizados por comarca e por data de praça.
Para acompanhar oportunidades de forma sistemática, vale cadastrar-se em mais de uma plataforma, definir filtros por tipo de bem e região, e ler com atenção a data de cada praça. Lembre-se de que a segunda praça só acontece se a primeira não tiver arrematante — por isso, monitorar o resultado da primeira é essencial para se posicionar na segunda.
Profissionais que atuam como leiloeiros oficiais são justamente os responsáveis por conduzir esses certames e dar publicidade aos editais. É uma carreira com demanda crescente, impulsionada pela digitalização dos leilões e pelo aumento do número de processos de execução no país.
Perguntas Frequentes
Qual a diferença entre primeira e segunda praça?
Na primeira praça, o lance mínimo é igual ao valor de avaliação do bem. Na segunda praça, quando não há arrematante na primeira, o bem é oferecido com desconto, desde que o lance não configure preço vil.
Quanto tempo separa a primeira da segunda praça?
O intervalo é definido no edital e costuma ser de poucos dias a algumas semanas. A segunda praça só ocorre se a primeira não tiver lance vencedor igual ou superior à avaliação.
Posso comprar mais barato na segunda praça?
Sim. A segunda praça permite descontos que normalmente variam de 20% a 50% sobre o valor de avaliação, conforme o edital. Por isso, é a etapa mais procurada por investidores.
O que acontece se não houver lance na segunda praça?
O bem pode ser oferecido novamente em nova designação de leilão, ter o valor reavaliado, ou o processo seguir outras formas de satisfação do crédito, conforme decisão do juiz.
Preço vil pode anular a arrematação?
Sim. Lances considerados preço vil — em regra, abaixo de 50% da avaliação ou do mínimo do edital — podem ter a arrematação anulada judicialmente, gerando insegurança para o arrematante.
É seguro comprar imóvel em leilão de segunda praça?
Pode ser seguro desde que o arrematante faça a diligência completa: análise da matrícula, ônus, ocupação e débitos. O desconto não elimina a necessidade de cuidado jurídico.
Próximos Passos
Se você deseja atuar profissionalmente no mercado de leilões e dominar todas as regras das praças judiciais, conheça o Curso de Formação de Leiloeiros da Leiloeiro Oficial.
O treinamento apresenta o passo a passo da profissão, requisitos legais, oportunidades de mercado e estratégias para iniciar sua atuação com segurança e conhecimento.
→ Acessar Curso de Formação de Leiloeiros
Quer consultar leiloeiros credenciados em todo o Brasil? O Banco de Leiloeiros reúne profissionais habilitados pelas Juntas Comerciais de cada estado, com contato direto e especialidades por segmento.
→ Acessar o Banco de Leiloeiros



